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CARTAS SYSTEMATICAS PARA APRENDER A LER

Cartas Systematicas para Aprender a Ler.

Cartas Systematicas para Aprender a Ler imprime a preocupação do Brasil do século XIX em criar uma política nacional para a produção didática. Em 1852 um levantamento no Norte e Nordeste realizado por Antônio Gonçalves Dias, intelectual, à época encarregado pelo governo brasileiro como “visitador escolar”, já sinalizara a necessidade de o país alfabetizar com planejamento e de forma apropriada à realidade e cultura nacionais. “O relato de Gonçalves Dias alertava para a falta de um material didático que oferecesse apoio e método aos professores nas escolas. Sem nenhuma diretriz, eles ensinavam a ler e a escrever fazendo uso, entre outros recursos, de cartas, redigidas quase sempre por mães e donas de casa que, trazidas às escolas pelos alunos ganhavam status de material pedagógico”, conta Circe Bittencourt, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo LIVRES, banco de dados com informações sobre o livro escolar no Brasil entre 1810 e 2007. Segundo Circe, a política de nacionalização do material didático queria acompanhar a alfabetização no país e vinha de encontro às cartilhas de Portugal que traziam palavras estranhas ao vocabulário nacional e quase sempre embutiam ensinamentos religiosos e de condutas morais. “Nas cartilhas portuguesas o próprio processo de aprender o alfabeto vinha relacionado com o ensino da religião”, diz Circe. O original do exemplar de Cartas Systematicas para Aprender a Ler, uma relíquia, está na Biblioteca Nacional da França. Mas há edição para consulta no acervo de livros didáticos da Biblioteca da Faculdade de Educação da USP.

Cartas Systematicas para Aprender a Ler.


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A cartilha “Na Roça”, de Renato Sêneca Fleury, que em 1955 já estava em sua 123ª edição, sendo sua primeira edição de 1935, traz uma carta que tem parte reproduzida como “carta aos professores”: “Destina-se esta cartilha ao ensino da leitura, visando abreviar o aprendizado, sem exigir grande esforço da criança. Graças à conjunção da análise e da síntese, por um processo misto, chegamos a um sistema que oferece mais vantagens ao proporcionar um método rápido e seguro. Cada lição, partindo de sentenças e atingindo, pela análise, uma letra predominante, apoia-se principalmente nas sílabas”. A cartilha Na Roça serve também para ilustrar a preocupação em regionalizar a alfabetização, trazendo nos exercícios palavras e cenários capazes de responder à diversidade cultural do Brasil e de serem reconhecidos pelos alunos. “A frase ‘vovô viu a uva’, por exemplo, se fazia sentido no Sul, não o fazia no Nordeste, onde não havia cultivo de uva”, explica Circe. A adoção de elementos do nosso fol...

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