Cartas Systematicas para Aprender a Ler.
Cartas Systematicas para Aprender a Ler imprime a preocupação do Brasil do século XIX em criar uma política nacional para a produção didática. Em 1852 um levantamento no Norte e Nordeste realizado por Antônio Gonçalves Dias, intelectual, à época encarregado pelo governo brasileiro como “visitador escolar”, já sinalizara a necessidade de o país alfabetizar com planejamento e de forma apropriada à realidade e cultura nacionais. “O relato de Gonçalves Dias alertava para a falta de um material didático que oferecesse apoio e método aos professores nas escolas. Sem nenhuma diretriz, eles ensinavam a ler e a escrever fazendo uso, entre outros recursos, de cartas, redigidas quase sempre por mães e donas de casa que, trazidas às escolas pelos alunos ganhavam status de material pedagógico”, conta Circe Bittencourt, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo LIVRES, banco de dados com informações sobre o livro escolar no Brasil entre 1810 e 2007. Segundo Circe, a política de nacionalização do material didático queria acompanhar a alfabetização no país e vinha de encontro às cartilhas de Portugal que traziam palavras estranhas ao vocabulário nacional e quase sempre embutiam ensinamentos religiosos e de condutas morais. “Nas cartilhas portuguesas o próprio processo de aprender o alfabeto vinha relacionado com o ensino da religião”, diz Circe. O original do exemplar de Cartas Systematicas para Aprender a Ler, uma relíquia, está na Biblioteca Nacional da França. Mas há edição para consulta no acervo de livros didáticos da Biblioteca da Faculdade de Educação da USP.

