Pular para o conteúdo principal

CARTILHA NA ROÇA

A cartilha “Na Roça”, de Renato Sêneca Fleury, que em 1955 já estava em sua 123ª edição, sendo sua primeira edição de 1935, traz uma carta que tem parte reproduzida como “carta aos professores”: “Destina-se esta cartilha ao ensino da leitura, visando abreviar o aprendizado, sem exigir grande esforço da criança. Graças à conjunção da análise e da síntese, por um processo misto, chegamos a um sistema que oferece mais vantagens ao proporcionar um método rápido e seguro. Cada lição, partindo de sentenças e atingindo, pela análise, uma letra predominante, apoia-se principalmente nas sílabas”. A cartilha Na Roça serve também para ilustrar a preocupação em regionalizar a alfabetização, trazendo nos exercícios palavras e cenários capazes de responder à diversidade cultural do Brasil e de serem reconhecidos pelos alunos. “A frase ‘vovô viu a uva’, por exemplo, se fazia sentido no Sul, não o fazia no Nordeste, onde não havia cultivo de uva”, explica Circe. A adoção de elementos do nosso folclore nas lições também contribuiu para distanciar ainda mais o livro nacional de alfabetização do material que era produzido em Portugal. O uso progressivo de imagens e a diversificação da temática para alfabetizar são recursos que mostram a evolução da produção didática brasileira. Eles vieram na esteira do “método intuitivo” que partia da premissa de que o conhecimento não se dava apenas a partir da palavra escrita; ele poderia vir também da observação do cotidiano e da natureza. Era o ensino pela “lição de coisas”. Nesse aspecto, destacam-se as obras do autor Felisberto de Carvalho, Primeiro Livro de Leitura e Segundo Livro de Leitura, sucesso editorial comercializado em todo o país do final do século XIX até meados de 1960. “Desde a capa já podemos ver figuras sobre fenômenos naturais, como a erupção vulcânica, sobre agricultura, fauna e flora”, exemplifica Circe.


Postagens mais visitadas deste blog

CAMINHO SUAVE

As cartilhas estiveram muito presentes nas salas de aula do Brasil até meados de 1980, com métodos sintéticos ou analíticos, mas sempre com o foco no d omínio do sistema alfabético e ortográfico. Um dos clássicos é a Caminho Suave, de Branca Alves de Lima, que na capa traz os dizeres: “alfabetização pela imagem”. Muitos brasileiros que hoje têm entre 35 e 50 anos se lembram com carinho dessa cartilha que, ultrapassou a sua 131a. edição publicada. Sua primeira edição é de 1948.

ARTE DE APRENDER A LER

Arte de Aprender a Ler Um exemplo de cartilha portuguesa utilizada no Brasil no século XIX é Arte de Aprender a Ler, de Duarte Ventura, que se propunha a alfabetizar em “breve tempo” por meio de 10 lições progressivas. A pressa em alfabetizar pode ser vista também em cartilhas nacionais. À medida que um número cada vez maior de crianças ingressava nos grupos escolares, os materiais precisavam também atender a esta demanda. De maneira geral, os métodos priorizavam o domínio do código da escrita, com base em frases soltas, muitas vezes sem mensagem ou significado, criadas especialmente para esse trabalho, com rígido controle léxico e morfossintático, para reforçar a compreensão sonora e gráfica de uma palavra específica. Os exercícios dividiam o aprendizado em fases: primeiro as letras e fonemas, depois as sílabas, depois as palavras e, por fim, as orações. O caminho inverso também podia aparecer, mas sempre em função do aprendizado da escrita. As cartilhas funcionavam como uma...