Arte de Aprender a Ler
Um exemplo de cartilha portuguesa utilizada no Brasil no século XIX é Arte de Aprender a Ler, de Duarte Ventura, que se propunha a alfabetizar em “breve tempo” por meio de 10 lições progressivas. A pressa em alfabetizar pode ser vista também em cartilhas nacionais. À medida que um número cada vez maior de crianças ingressava nos grupos escolares, os materiais precisavam também
atender a esta demanda. De maneira geral, os métodos priorizavam o domínio do código da escrita, com base em frases soltas, muitas vezes sem mensagem ou significado, criadas especialmente para esse trabalho, com rígido controle léxico e morfossintático, para reforçar a compreensão sonora e gráfica de uma palavra específica. Os exercícios dividiam o aprendizado em fases: primeiro as letras e fonemas, depois as sílabas, depois as palavras e, por fim, as orações. O caminho inverso também podia aparecer, mas sempre em função do aprendizado da escrita. As cartilhas funcionavam como uma espécie de pré-requisito, uma condição para o mundo da literatura e da interpretação do que se lê.

