A cartilha “Na Roça”, de Renato Sêneca Fleury, que em 1955 já estava em sua 123ª edição, sendo sua primeira edição de 1935, traz uma carta que tem parte reproduzida como “carta aos professores”: “Destina-se esta cartilha ao ensino da leitura, visando abreviar o aprendizado, sem exigir grande esforço da criança. Graças à conjunção da análise e da síntese, por um processo misto, chegamos a um sistema que oferece mais vantagens ao proporcionar um método rápido e seguro. Cada lição, partindo de sentenças e atingindo, pela análise, uma letra predominante, apoia-se principalmente nas sílabas”. A cartilha Na Roça serve também para ilustrar a preocupação em regionalizar a alfabetização, trazendo nos exercícios palavras e cenários capazes de responder à diversidade cultural do Brasil e de serem reconhecidos pelos alunos. “A frase ‘vovô viu a uva’, por exemplo, se fazia sentido no Sul, não o fazia no Nordeste, onde não havia cultivo de uva”, explica Circe. A adoção de elementos do nosso fol...
Diário de uma alfabetizadora em formação.
